Laserterapia na Amamentação: da história clínica ao critério de escolha das pacientes
- Virginia Ferreira

- 6 de jan.
- 4 min de leitura
Durante muitos anos, a laserterapia na amamentação foi vista como um recurso complementar, utilizado apenas quando a dor já estava instalada e a mãe cogitava interromper o aleitamento.
Hoje, esse cenário mudou de forma significativa.
O laser terapêutico e a fotobiomodulação na amamentação passaram a integrar a prática clínica baseada em evidências e, cada vez mais, se tornaram um critério de escolha das pacientes ao buscar uma consultoria de amamentação qualificada.
Mas como essa transformação aconteceu?
A história da laserterapia na amamentação
Os primeiros usos clínicos
O uso do laser de baixa intensidade na amamentação teve início de forma discreta, principalmente na Europa e na Rússia, nas décadas de 1980 e 1990. Os primeiros relatos clínicos descreviam melhora da cicatrização de fissuras mamilares e redução da dor, ainda sem padronização de parâmetros.
Essas observações abriram caminho para investigações mais estruturadas nos anos seguintes.
A evolução científica da fotobiomodulação
Com o avanço da fotobiomodulação (PBM) e a melhor compreensão de seus mecanismos biológicos, estudos passaram a demonstrar que a luz vermelha e infravermelha de baixa potência poderia modular inflamação, reduzir dor e acelerar o reparo tecidual, sem efeito térmico.
Entre 2010 e 2016, ensaios clínicos mais robustos evidenciaram:
Redução significativa da dor mamilar
Melhora do conforto materno
Maior chance de manutenção da amamentação
A partir daí, revisões sistemáticas e meta-análises consolidaram o laser como recurso terapêutico coadjuvante, desde que integrado ao manejo clínico adequado.
O que a ciência já estabeleceu sobre laser na amamentação
A literatura científica atual demonstra que a fotobiomodulação atua principalmente:
No aumento da produção de ATP mitocondrial
Na modulação de mediadores inflamatórios
Na analgesia local
Na aceleração da cicatrização tecidual
O que isso significa na prática clínica
Na prática, o laser pode:
Reduzir a dor que impede a continuidade da amamentação
Facilitar o manejo clínico ao remover barreiras dolorosas
Ajudar a manter o aleitamento sem sofrimento materno
Mas a ciência também é clara em um ponto essencial: o laser não substitui o manejo da amamentação.
Os melhores resultados estão associados à avaliação clínica adequada, correção de pega e posicionamento, escolha correta do comprimento de onda, dosimetria individualizada e reavaliação constante da resposta clínica.
De recurso complementar a diferencial
Nos últimos anos, as pacientes passaram a chegar à consultoria de amamentação perguntando diretamente:
“Você trabalha com laser?”
“Aqui tem laser para fissura mamilar?”
“Laser ajuda na dor do peito?”
Esse movimento reflete um novo perfil de paciente: mais informada, mais consciente e menos disposta a aceitar dor como algo normal na amamentação.
Hoje, o laser representa para muitas famílias:
Cuidado atualizado
Atenção à dor materna
Tecnologia aliada à ciência
Segurança no atendimento
Para o profissional, tornou-se um diferencial clínico real, baseado em critério técnico e não em marketing.
O maior desafio não é ter o laser, é saber usar
O laser não corrige a pega. Não ajusta o posicionamento.

Não substitui o olhar clínico.
Mas quando bem indicado, remove barreiras para que o manejo funcione.
Onde muitos profissionais ainda erram
O erro mais comum está na aplicação automática do laser, sem:
Integração com a avaliação mãe-bebê
Observação da resposta clínica
Ajuste individualizado dos parâmetros
Isso não caracteriza prática baseada em evidências.
Laser na amamentação exige raciocínio clínico, segurança, comunicação clara com a puérpera, registro adequado e conhecimento científico atualizado.
Por que dominar laser hoje impacta sua prática profissional
Profissionais que dominam o uso do laser na amamentação:
Ganham mais segurança clínica
Transmitem mais confiança às pacientes
Reduzem o abandono precoce do aleitamento
Se posicionam como referência técnica
Em um cenário ainda marcado por dor, culpa e desinformação, oferecer cuidado atualizado faz diferença real.
Referências científicas
Gaitero MV, Mira TA, Gondim EJ, Nascimento SL, Surita FGC.Low-level laser therapy for nipple trauma and pain during breastfeeding: systematic review and meta-analysis. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. 2025.
Hurst C, Guyatt G, Laakso EL.Photobiomodulation therapy at 660 nm for nipple pain in breastfeeding women: a randomized clinical trial. Laser Therapy Journal. 2023.
Elaraey EA, et al.Photobiomodulation helps lactating women and their newborns: a pilot study. International Journal of Low Extremity Wounds. 2024.
Cochrane Database of Systematic Reviews.Laser therapy for nipple trauma in breastfeeding women. 2024.
World Association for Laser Therapy (WALT).Dosimetry recommendations and safety guidelines for photobiomodulation.
Quer aprofundar o uso do laser na amamentação com base científica?
Se você é profissional da saúde, atua com amamentação ou trabalha na área materno-infantil e quer sair do achismo, entender quando o laser realmente faz sentido e como integrá-lo ao manejo clínico com segurança, ciência e responsabilidade, eu preparei um material específico para isso.
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O laser não substitui o manejo da amamentação. Mas quando bem indicado, remove barreiras, reduz a dor e contribui para a manutenção do aleitamento.

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